A Indelicadeza do Amor Escrita Com a Tinta do Coração.

29/09/2013
 
Não se diz em poucas palavras o que nem mesmo com muitas se pode dizer.
 
É falhando na tentativa de falar muito que eu descobri o quanto tentar me explicar é, na maioria das vezes, uma tentativa em vão. A gente procura loucamente alguma frase que se encaixe naquele momento oportuno, caça outras poucas frases feitas e até usa os mais ridículos clichês. Quanto mais fundo tentamos encontrar algo, mais difícil fica pra organizar tudo depois. É assim com as palavras e funciona assim com a vida.
 
O quintal de casa era prova fiel de tudo isso que hoje escrevo aqui. Sempre que encontrava algo que me despertava interesse eu pegava e levava pra casa, pra deixar em algum canto do quintal, por mais inútil que fosse. Não me dava conta do entulho que juntava aos poucos e a medida que o tempo ia passando eu queria mais e mais coisas. O mendigo abrigado dentro daquele moleque de doze anos mal sabia que, anos depois, teria em seu peito também um quintal, tal como aquele que servia de depósito dos seus mais variados souvenirs.
 
O tempo passa rápido demais e não há nada que possamos fazer pra assumir o seu controle. Percebo o peso da idade quando olho pra dentro de mim e vejo cada vez mais o sentimento da saudade, que cresce inexplicavelmente sem que eu consiga lidar com sua presença. O terreno dela parece não comportar seu peso, e com isso eu sou o único a sentir – e sentir muito – a falta daquilo que não está mais ali.
 
Porque dói demais lembrar o que eu já não tenho.
 
A saudade mostra o que é de verdade e quando ela foge do controle nos resta administrar na cabeça – e no coração – tudo aquilo com capacidade de fazer o peito parar, só que a gente nasce sem manual de instrução e é no fio da navalha que aprendemos a lidar com isso. Sei que quem inflama de saudade possui a alma pura, e bem-aventurados os que usam dela pra ensinar ao mundo o que realmente vale a pena, que mostram que o abstrato é o que faz com que se perca o ar levando ao mergulho profundo dentro de si próprio, só que eu costumo fazer isso sem tubo de oxigênio. O que falta no mundo de hoje é profundidade. Desbravar o quintal de casa nunca foi tarefa tão difícil quanto é, e eu digo desbravar no sentido literal da palavra. Eu faço questão de redescobrir o mendigo abrigado dentro do meu eu versão doze anos justamente porque ele tem a essência da busca e sabe que é no coração que a gente guarda as melhores coisas da vida. Foi no quintal de casa que eu encontrei a comparação perfeita pra esse coração que possui os sentimentos mais puros que alguém já tivera.
 
Tem gente que passa pelo nosso quintal e nem se dá conta de que é lá que a gente costuma mostrar o que tem de mais bonito, mas a superficialidade da visita é tão grande que a pessoa parece estar de olhos fechados. Tem gente que passa, aprecia, e vai embora. Há outras que resolvem ficar pela sentimento que acham que sentem, mas não ficam muito por não estarem acostumadas com a cumplicidade e respeito necessários nos dias de hoje. Tem gente que visita mas nem chama a atenção de tão desinteressante, e às vezes elas mesmas deixam alguma sujeira proposital só pra enfeiar seu território mas eu costumo no cuidado diário jogar fora o lixo que o outro deixou. E a vida faz mais sentido quando você, algum dia, recebe alguém que se dispõe por conta própria a consertar as coisas quebradas que deixaram te incomodando.
 
Tem coisas que só são possíveis há quatro mãos.
 
De todas as pessoas que passaram pelo meu quintal houve uma que fez mais que consertar, mais que retirar os excessos de entulho. Arou o terreno e resolveu plantar. Veio no verão e talvez isso explique as andorinhas que voltaram a cantar. Um sentimento que havia morrido renasceu, mesmo que pequeno e sem rótulo ainda, quando percebi o terreno novamente vivo. E é assim, vivo, que a gente merece e tem que sentir e perceber o que de melhor há guardado no coração da outra pessoa, principalmente se ela resolveu plantar o amor. Mas a superficialidade é tamanha que, numa dessas brechas que o mundo tem, você se foi quando eu mais precisei. Arou, plantou, nasceu. Mas não colheu. Agora eu travo uma luta diária comigo mesmo pra arrancar do meu quintal o que era seu e que hoje está em cada canto aqui dentro, mas sentimentos não morrem facilmente porque nós continuamos alimentando-os com as memórias.
 
As memórias se arrastam com o tempo e algumas até se desfazem, mas algumas encontram consolo, algum mísero alívio nas pequenas brechas da poesia e da vida. Você é minha memória inconsolável, feita de pétala e espinho, e é dela que tudo nasce e ressurge.

Mesmo Se o Mundo Te Pedir Pra Não Ficar.

16/06/2013

Quando a gente caminha sozinho, a queda deixa de ser uma opção.

Já não tenho mais um caminho ladrilhado à minha frente, rodeado de encostas que conscientemente me traziam conforto e segurança. No horizonte difuso já não há mais aquela formação clássica de um infinito promissor, pois a visão turva me impossibilita de enxergar novamente aquilo que me aguarda lá na frente. A neblina que outrora me fez tentar a desistência surgiu novamente frente à mim, com uma densidade infinitamente maior e com nenhuma previsão de se esvair junto ao vento. É tudo cinza e dói pra respirar.

Antes mesmo de chegar até aqui, descobri que há duas tragédias na vida: uma é não conseguir o que o coração da gente quer. A outra, é conseguir. O que não difere uma da outra é a maneira com que cada um lida com os acontecimentos, é como se cada caixa toráxica fosse um disco rígido com capacidade de armazenamento diferente. Mas nosso peito não é assim e não há um manual pra saber o quão forte ele é pra suportar as feridas do mundo. Até que você é posto em prova justamente pra suportar aquilo que definitivamente é insuportável.

Os diagnósticos possíveis são muitos. Os prováveis são alguns. São várias as teorias e elas vêm de todo lugar, mas só uma realmente vale alguma coisa: a minha. O problema é que eu não fico o dia inteiro bolando teorias sobre o meu funcionamento. Eu não tento fundar minhas atitudes em algum padrão de comportamento ou cartilha. Eu simplesmente vou lá e faço. Eu simplesmente fico aqui e digo. Sento-me na frente do computador e escrevo. E não há um padrão. Não é um capricho consciente, essa minha inconstância.

Eu realmente gostaria de fazer sentido.

No lugar de onde eu venho sempre faz frio lá fora, e eu levo em alguma parte de mim a lembrança desse lugar, exatamente pra recordar que o frio de lá não é por falta do calor que vem de outro coração, como acontece aqui. O grande problema é que as pessoas não enxergam as outras mais como seres humanos. Estou sempre a procurar respostas, mesmo sabendo que cada nova resolução acaba gerando uma pergunta ainda mais difícil de responder. Eu só queria desligar o meu coração, por uns dias.

Eu só queria que você me quisesse, porque eu finalmente deixei alguém entrar. Isso me dá medo, porque quando eu deixo o amor entrar, junto com ele sempre vem alguém e arranca ele de mim levando-o embora. É aí que o amar se torna amargo.

Consigo ver perfeitamente o estranhamento que causo em algumas pessoas. Essa intensidade desmedida choca, e gera dúvidas acerca da autenticidade de tudo que eu sinto. Mas eu sinto. E sinto muito, tanto que chega a parecer que é mentira, encenação, que eu não sinto absolutamente nada. É como um vício, como se eu estivesse sempre procurando um motivo pra sair da normalidade, do stand by, pra transcender a vida comum e os sentimentos amenos.

Eu realmente gostaria de ser compreendido.

Com alguma insistência, um pouco de prática e um punhado de sorte, eu fui capaz de te trazer pra minha história que comecei a escrever há algum tempo atrás. Você nem sabe que faz parte dela, mas você já foi escalada pro seu papel, e ele é de protagonista. Cabe a você deixar-se ser escrita, e eu tenho muita coisa pra contar. E não precisa dizer que eu não te conheço, que isso não faz sentido, que eu estou enlouquecendo. Eu sei muito bem disso. Sei que os diagnósticos possíveis são muitos e que os prováveis são alguns, mas meu médico sou eu e acabo de receber alta. Resolvi me esconder na minha dor pra que não haja mais essas sutis colisões como se fossemos dois caminhões em sentidos opostos.

Eu realmente gostaria que você acreditasse em mim.

A dor de um coração partido não é nenhuma novidade por aqui, mas ela jamais se reverberou com tanta força como agora.

Madrugada em Ursa Maior.

24/03/2013

Tem dor que a gente não guarda no bolso não é porque não quer, e sim porque não cabe.

Surge um breve desespero quando se procura solução e ela não é prontamente encontrada. No sentido literal há vários meios de encontrar as saídas e os incontáveis por quês que te tiram o sono, porém na prática real não é bem assim. Nem os que se consideram pós-graduados na arte das relações humanas possuem as manhas de descobrir, de fato, o que é que há por detrás de nossos olhos. Porque o que se reverbera na verdade são as palavras, pronunciadas na eloquência mais fiel possível, para que o destinatário se torne um porto, onde o remetente possa ter o abrigo necessário. Até partir e abandonar o lugar que tanto quis e que o acolheu.

Há inúmeros portos abandonados por aí. Depois de desbravados e utilizados, para nada mais servem, e só lhes resta apodrecer. Até mesmo a melhor madeira apodrece quando não é cuidada da maneira que deve ser. Até mesmo as estacas mais profundas se tornam danosas quando não há cuidado necessário. ”Cuidado”, palavra que exprime atenção, alerta, que salva vidas, relacionamentos e os que se encorajam mar adentro em suas buscas incansáveis. Em alto mar a vida se torna redundância e ela própria vira isca.

Eu não sou o mar. Eu não sou o barco. Eu não sou o cuidado. Eu sou o cais, e eu vivo com os pés na lama.

Já não bastasse a sujeira natural que tenho, o mundo vem depositar parte de seu lixo no lugar mais limpo que possuo. A dor que tento colocar no bolso é o fruto amargo desse depósito errado e cruel, que ocupa a morada que tem como residente a simplicidade e o amor. Mas eu tenho a cada novo dia a possibilidade de jogar fora os lixos que deixaram em mim. Eu vivo com os pés na lama, mas nem por isso eu deixei de olhar para as estrelas.

Para os lugares da minha alma que o mundo ressecou eu utilizo do mesmo cuidado que gostaria de receber, só assim consigo retalhar o que em mim está danificado. Para conviver e lidar com o absurdo eu o vivo à risca, no fio da navalha, porque sei que um dia isso tudo vai se justificar. É a esperança que eu tenho ao alcance da mão, viver o absurdo pra que ele deixe de ser absurdo. O que nos realiza não é o reconhecimento que nos vem do outro. Ele é complemento. O que realmente conta é o que sabemos de nós mesmos.

Resolvi descredenciar algumas prioridades. O tempo e a vida se encarregaram de me mostrar o que realmente importa.

Quando a gente encara a noite como o dia da alma, muitas coisas mudam de significado.

Olhos Fechados.

16/12/2012

Que eu encontre o meu lugar onde o amor for infinito.

Talvez os dias que a gente desbanca no decorrer das horas possam ser as principais provações dessa inconstante questão que é a vida. Ela se reverbera naquela fração de segundo que você se descobre forte, sendo fraco. Naquele momento que um mau-súbito te incomoda pelo lado de dentro sem saber o porquê. Os segundos que a gente não percebe sua importância são, na sua essência, os mais válidos e dignos nesse tempo que nos é dado enquanto há ar pra respirar.

Eu procuro uma lógica que responda ou amenize as mais inquietantes perguntas que residem em mim, mas acabo não encontrando muita coisa, invariavelmente. O que eu encontro são os mais diversos sinais, que são capazes de tirar a venda que me cobre os olhos, às vezes, e que a qual não me dou conta. E é aí que eu tenho algum indício de resposta e não sei. Costumo ter uma dose média de delay pra perceber as coisas, principalmente quando estão diretamente ligadas à mim, mas de uns tempos pra cá tenho melhorado nessa arte imperceptível das razões e emoções.

Acho que falo demais, mas acho que falo bem menos do que eu realmente sinto. Aí eu escrevo.

Às vezes me pego sabotando a mim mesmo, plantando provas, tudo pra me incriminar. Tudo pra estabelecer em mim o meu estado natural, de eterna confusão. Memórias custam mais ainda a apagar quando se quer fazer isso de próprio punho e consciência aparentemente consciente, só que esqueceram de avisar que até mesmo as mais belas e graciosas lembranças se tornam, em algum momento, mais cortantes do que navalha e do que a dor que se sente. Isso porque ao lembrar e assimilar os fatos à pessoa automaticamente surge a sensação de um membro ser amputado, sem anestesia, justamente por você não saber se viverá aquele momento sublime novamente. Isso tudo soa dramático demais, eu sei, porém é o único consenso estabelecido entre meu coração e o peito que lhe guarda.

Sentimentos irreais em um mundo real. NÃO. Sentimentos reais em um mundo irreal. Não tem conto de fadas e é aparentemente simples entender que tudo hoje é permitido e blá blá blá. Mas infelizmente boa parte da gente faltou à aula que ensinava que é pecado quando uma pessoa faz a outra sangrar. E não digo do sangrar fisicamente, e sim do borrado abstrato que têm acontecido com mais freqüência na alma daqueles puros de coração, sem malícia e sem contaminação. Esse é o pior tipo de violência possível. Há uma epidemia de corações partidos e almas amputadas que ninguém mais se importa com o rumo que essa catástrofe pode tomar. É o famoso ‘’viver hoje como se não houvesse amanhã’’. Tolo é quem segue isso à risca, porque é no hoje que a gente faz o futuro. Independentemente de qualquer coisa você vai arcar com as conseqüências da decisão, da palavra dita, do ataque feito no hoje por um bom tempo ainda.

Eu já fui tolo por esse motivo, mas continuo sendo por outro. Ainda arco e com preciosos juros na doação daquilo que não tem preço e muito menos é compreendido. Coloquei minha alma à prova mais uma vez. E venho colocando a cada dia mais. Inacabada, acredita que há motivos reais e infinitamente divinos pra ser de um humano tolo que só fala de amor, porque sabe que vale à pena. Vai valer a pena.

Que o silêncio da saudade não me impeça de amar.

Coração Curado Não é Coração Salvo.

29/09/2012

Cá estou eu, do alto do meu segundo andar, perdendo o controle, de novo. Mudaram os anos, as estações, as pessoas, as preocupações, os afetos, os endereços, a vida. Mudaram os sentimentos, as causas das leves arritmias e até a maneira de lidar com as possíveis inadequações do destino. Mais trezentos e sessenta e cinco dias foram descontados da minha lista, e com isso eu pude perceber a diferença que isso tem me causado. Tenho feito mais conexões fora do meu mundo, tentando entender – pelo menos – o objetivo de algumas das diferentes vidas dessa cidade que mais parece um planeta. E aqui, eu finjo que acredito no que dizem sobre o amor.

O equinócio veio trazendo mais uma primavera, mais uma chuva no final de setembro pra molhar e encharcar o que eu havia deixado de lado, pra deixar pesado o suficiente pra me incomodar nos momentos mais inoportunos possíveis. Você deixa de pensar nos incômodos, assume compromisso com sua autonomia e tenta tatuar na alma a teoria mais bela que há nos desapegos da vida. Mas eu sempre apanho achando que nunca saberei lidar.

Porque é quando eu tô fraco, que eu sou forte.

Ando numa constante busca que acalme meu coração, antes que ele exploda e, um dia, se torne impossível de se reconstruir. Eu e ele estamos também em constante conflito, porque certa vez ousei pendurar uma placa de ”FECHADO” nele, sem saber que depois ele se rebelaria contra mim. Ele me traiu, fez o que bem quis e é certo que se hoje estou em apuros a culpa é inteiramente dele. Há uma infinita linha tênue entre meu coração e o mundo que o acolhe. Eu sou o intermediário. O corpo que lhe foi dado como residência às vezes não o suporta como hóspede e até pensa em despedi-lo de vez, mas tolo sou eu em pensar nisso já que seria impossível. Eu sou o cais e meu coração é o barco. Ele vive estacado, nunca se solta, mesmo eu querendo que a maré o leve para não empodrecer ao pé por sempre estar atracado à mim.

Por causa do saudosismo incitado pelo amor, hoje me reservo nesse momento de contradição pra relatar aqui – mais uma vez – minha inconstância eterna. Minha invariável e confusa situação com esse sentimento que, em vezes é cura e em outras, doença. Situação real. Primavera com gosto de inverno. Essa chuva inesperada é o amor, caindo involuntariamente me inundando e me encharcando, me deixando mais pesado, tornando minha caminhada mais árdua, diferente e infinitamente inexplicável. Eu não sei de muitas coisas mas poucas vezes tive tanta certeza de algumas. Eu que achava saber de tudo, já não sei nada. Minhas pernas que já tinham andado o bastante, ainda não cruzaram metade do caminho. Há um impasse. Os meus pés procuram partidas. Minha alma deseja chegadas. E o que é simples, aos vinte-e-poucos anos?

Aí eu mudo. Mas o problema é que eu mudo sentindo medo demais. Porque se for pra amar que seja de verdade, sem prazo de validade sem ser descartável. Eu tô passando por cima de muitas convicções, aqui. Eu tô quebrando uma porção de promessas infantis, também. Ninguém some após ouvir que outro sente saudade, mas um ”eu te amo” já é outra história.

Não fosse amor, não haveria medo.

Grandiosidade abstrata, grandiloquência sentimental, gigantismo onírico, manifesto lírico ou apenas doidice e teimosia. Talvez isso defina a minha relação com você e com o amor.

Meu romantismo utópico pode não estar com nada, mas isso tudo será sempre o que vem de dentro. E eu não conseguiria fazer de outra forma. Talvez jamais conseguirei.

Faz Meu Coração Bater Mais Rápido e Eu Perdi Muito Tempo Fazendo de Conta Que Não.

03/06/2012

Nesse mundo em que o amor fechou a loja, além de ter aquele que procura cultivar o sentimento por conta própria também há os que vivem em função de exterminar esses contáveis seres dotados da genuinidade do amor.

Quando você acha que perdeu o que tinha de melhor, todo medo e angústia que surge inflama teu peito por dentro a ponto de te deixar estático e sem o que pensar. É como se algum dia lhe fosse tirado aquilo que você mais cativa e tem apreço, assim, do nada, e não encontra um porquê. As pessoas te olham mas não te enxergam, de fato. Eu tenho a minha loja mas perdi o jeito de cultivar as flores. São elas, as flores, as principais responsáveis por me fazerem sentir o que eu senti, mas eu me esqueci que pra cuidar delas é preciso arrancar os espinhos e inevitavelmente se cortar.

Eu me cortei. E continuo me cortando.

O que seria das flores sem os espinhos? E o que seria da vida sem o amor? A ambigüidade está aí pra ser dita. Assim como na vida, as flores são como o amor. Quem tem cuida, cativa, procura não deixar morrer e se machuca. Ah, sim, a gente se machuca, mas mal sabe que é a melhor cura para as dores do mundo. E nada funciona melhor do que saber que você tem esse antídoto raríssimo. Eu já estive por um triz, e caso eu não tivesse a cura hoje eu seria aquele que Deus teria levado embora. Se eu fiquei foi justamente pra ser contemplado com aquilo que eu sempre quis mas nunca tive, e que finalmente pareço ter encontrado.

A gente pode ser ferido pelo amor ou curado pelo mesmo.

Eu poderia ser um texto inacabado, e quando parece que é impossível encontrar um parágrafo é aí que aparece um, bem na hora, fazendo você acreditar que ainda tem as manhas de saber que há um destinatário para tudo isso. Porque eu só quero fazer por você o que ninguém jamais fez por mim.

E quando parece que é difícil encontrar um verdadeiro amor é aí que aparece um, bem na hora.
 
Então que ele arrebate, que seja forte, contagioso e incurável.

Coração Vazio Não Bombeia Sangue.

13/05/2012

O impossível vai ser sempre a minha opção.

Há dias venho fazendo resoluções pessoais dessa cópia barata do que eu acho que eu sou. Isso leva tempo e traz perguntas, cada vez mais perguntas, e elas vem de dentro de outras perguntas mais angustiantes ainda. Dentro de um peito mobiliado é necessário ter questionamentos acerca do que ali reside, mas quando elas são de natureza irrealista isso se torna algo corrosivo e infinitamente injusto. Esse mesmo peito que abriga os mais genuínos sentimentos se sente amarrado em metros de arame farpado, e qualquer movimento impensado resultaria em algo nada agradável.

Promover um sentimento mesmo com o coração cheio de amarras é, por si só, um ato de coragem dos mais evidentes possíveis. É como se você abrisse tua janela pra deixar a luz entrar, e com isso ser tomado pela surpresa de um dia cinza e nublado. De um jeito ou de um outro alguma luz vai entrar, mesmo com o céu triste e com lágrimas caindo dele. Abrir a janela e deixar-se exposto à água da chuva, à luz turva e sem cor, é estufar o peito e se abastecer com coragem. Isso é promover o sentimento por conta própria.

Hoje vejo que ter que voltar pra casa com a idéia de buscar o que havia deixado dentro da gaveta foi apenas um ato de saudosismo. O que me toma o pensamento é que não se perde o que realmente se é, muito menos o que se tem por dentro. Tu nunca perde o que definitivamente é teu, de fato. E aqui eu falo é de sentimentos, é de quem você realmente é quando tomado por algo que não consegue explicar, por aquilo que fisicamente parecer ser feito de aço e que rasga, mas só na teoria o no abstrato que lhe consome. Quisera eu ter a capacidade de controlar tudo isso e um pouco mais. Isso até se torna possível, mas somente a quatro mãos.

Li algo de um escritor amigo meu que disse que ‘o amor se confunde com o medo’, e desconheço maior verdade do que essa, nesse momento. Aí eu me pergunto: devo eu não dizer? Devo eu guardar pra mim todos esses sentimentos? A verdade está aí pra ser dita mas quem é capaz de conviver com ela? Esse é um jogo onde a sorte maior é de quem é o alvo.

Será que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que é mais racional do que permitir que essa emoção guie cada um dos nossos passos? Aí é que reside o cerne da questão. Eu não sei de muitas coisas, mas poucas vezes tive tanta certeza de algumas.

Tenho muito medo daquilo que não existe e não é real, mas sobretudo eu sinto amor por aquela que tem nome, endereço e é divinamente real.

Vivendo o Absurdo Para Que Absurdo Não Mais Seja.

15/04/2012

Meus dias têm se tornado cada vez mais inovadores. Tenho sido acometido por algo que me conforta e assusta ao mesmo tempo, algo que achava ter perdido em alguma dessas esquinas por aí quando pego de surpresa pela dor. Infelizmente sei que não há remédio pra emoção, mas isso que me toma na maior parte do tempo possui a capacidade de dopar a dor que cravava e estampava meu peito. Seria isso uma morfina natural criada automaticamente tal como um anti-corpo ou uma lança e escudo empunhados pela minha minha própria alma?

Me perdi, mas me encontrei. Tenho me encontrado à medida que os ponteiros do relógio seguem seu curso natural. Minha identidade que eu achava ter sido borrada hoje nada mais é do que aquilo que me estufa o peito e faz acreditar que há sim remédio pra alma. Recordei as saudades pra ter a eminente certeza de que são elas que fazem sentido quando você não encontra respostas, e vez ou outra é bom invocar as saudades, elas nos recorda quem realmente somos.

Acho que fui geneticamente criado para sentir mais do que qualquer outro ser humano. Os trilhos sinuosos que percorri – e vivo percorrendo – ainda me assombram, mas o medo vai enfraquecendo. Sim, o medo, ele que sempre foi o principal culpado por me privar das melhores coisas do mundo enfim vai pegando seu rumo. Consegui encontrar o paradeiro do melhor sentimento pra se cultivar e fui buscá-lo. Agora me sinto infinitamente armado e apto pra guerra. Cheio dele, agora cabe à mim atingir quem realmente merece.

Já se passou tempo suficiente pra eu aprender a sentir novamente, pra aprender a falar novamente. Sei que quando assim eu sei recomeçar melhor. Prevejo o amor, prevejo o tombo. Mas no final tudo se justifica, porque sempre vale a pena arriscar quando se trata de amor. O que mais faz sentido pra mim é essa leve arritmia que me causa, provando que estou perdendo tempo em não assumir que vale a pena entrar nessa guerra. Desculpa se já não consigo disfarçar que não te amo.

Queria que você me quisesse, porque eu finalmente tô deixando alguém entrar.

O Terminal.

11/02/2012

Todos os dias é um vai-e-vem.

Fui aprendendo com o tempo que nós, por mais evoluídos que sejamos, somos uma constante máquina de erros que em vezes atingimos de forma violenta até quem não tem nada a ver com tua sina. E ridiculamente negamos isso até a última gota. Bem aventurado é aquele que de alguma maneira consegue admitir ser um alguém errante, mesmo que para isso ele tenha que passar por cima de algumas convicções auto-destrutivas. E modestamente permito-me confessar ser um integrante desse grupo.

Tem coisas na nossa vida que a gente perde pra nunca mais encontrar. Até que um dia a gente encontra, e descobre que o ‘nunca mais’ nunca existiu.

Tenho me tornado cada vez mais um condutor infrator, atropelando algumas convicções e quebrando algumas regras. Talvez isso aconteça pelo fato de eu ter um motivo maiúsculo e digno de assumir tal condução. Caso haja algum erro procuro ser a pessoa mais intolerante possível, porque só assim terei combustível e força suficiente pra superá-lo e exterminá-lo, denotando assim que somente eu sou o responsável por ditar quem segue comigo ou não na minha jornada. Sem saber por onde andar escolhi pra onde ir. Deixei dentro da gaveta inúmeras coisas e alguns sentimentos bons de se cultivar. Percorri trilhos sinuosos que insistiam em me mostrar um caminho. Qual? Sinceramente não sei, mas já estava embarcado e pronto pra sair de uma estação e seguir para outra. Sabe aqueles sentimentos bons de se cultivar que citei logo acima? Então, eu os esqueci em casa da última vez que voltei pra cá e agora preciso ir buscá-los, justamente porque encontrei destino pra eles aqui mesmo, dia desses.

Visivelmente eu não tenho muita bagagem. O que eu trago é invisível, interno, residente no peito e é de fábrica. Não é comprado muito menos usado. Ser invisível não quer dizer que não exista. E não há nada mais agradável do que possuir algo capaz de contrariar, agradar e incomodar tanta gente. Sim, eu disse incomodar, porque nos dias de hoje falar de amor ou de qualquer outro sentimento é passível a críticas e manifestos negativos. Falar de amor nos dias de hoje se tornou um tema revolucionário.

Costumo ouvir que meu romantismo utópico não tá com nada, e quem disse que eu não concordo? Querendo ou não, a minha vida e a de cada um aqui custa alguns relacionamentos e algumas dores. Eu sou igual a você.

É a vida desse meu lugar. É a vida.

Mesmo Se o Mundo Me Pedir Pra Não Ficar.

05/08/2011

Eu não queria dizer adeus.

Às vezes é difícil dizer adeus. Às vezes só se sente mais angustiado quem tem que dizer adeus, mas penso que a longo prazo geralmente seria uma boa idéia para deixar o que se tem sem grandes proporções, e que no caso seria isso o mais correto a se fazer. PAPO. A gente tenta permitir espaço para coisas novas, para a transformação e principalmente pelo que te aguarda ali na frente, mas pra quem tem o coração como maior orgão do corpo isso é quase que uma maldade.

Talvez o adeus não é mesmo pra sempre, mas você não pode saber até que você realmente diga adeus. Em alguns casos, adeus é realmente o fim, e boa viagem! Mas há uma parte em mim que possui o conforto e a calmaria necessária que me faz não enlouquecer por ter que deixar muita coisa pra trás, e essa parte sensata me encoraja a dizer adeus a todas as coisas que eu preciso deixar ir: maus hábitos, pessoas mortas (aquelas que realmente vivem no nosso coração jamais mudarão de endereço), pessoas vivas, ex-namoradas, gente desinteressante, sentimentos auto-destrutivos, comportamentos, etcétera e por aí vai.

Isso tudo pode ser muito injusto, dolorido, mas as minhas piores dores sempre serão as palavras que eu não posso dizer. Cada sentimento e palavra que guardo no peito ao invés de dizer, é como se um osso meu fosse quebrado automaticamente. Portanto, diga se você tem algo guardado a dizer – por mais utópico, louco, romântico, idiota e surreal que seja – a alguém. Diga enquanto é tempo, antes que a vida te afaste pra bem longe de quem você ama.

O adeus pode ser tão longo ou tão curto quanto quiser. E, mais importante, é ter um momento com cada um para realmente dizer adeus. Isto não é um catálogo de medos e falhas, esta é uma cerimônia capitulada em forma de texto que o qual achei mais digna para me despedir. E mesmo que eu ou o mundo mude, sempre será amor. Mesmo que você não passe de uma falsa-paixão-de-10-segundos. Mesmo que, para isso, eu tenha que esquecer como é que se volta pra casa. Mesmo que o mundo me peça pra não ficar.

Por ora, me despeço desse capítulo da minha vida. E estou ansioso para o que vem a seguir.

Só não queria dizer adeus, é que eu tinha tanto pra contar.


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